logo
  • sobre n贸s »
    • objectivos
    • hist贸ria
    • documentos
    • dirigentes
  • registos »
    • artigos
    • patrim贸nio cultural
    • patrim贸nio natural
    • boletins
    • revista patrim贸nios
  • iniciativas »
    • fotografias
    • por realizar
    • realizadas
  • informa莽茫o »
    • imprensa
    • links 煤teis
    • not铆cias
  • s贸cios »
    • registar
    • aceder

registos » revista patrim贸nios » Patrim贸nios n.潞 4 » Alguns Apontamentos para uma Estrat茅gia de Desenvolvimento do Baixo Vouga

Alguns Apontamentos para uma Estrat茅gia de Desenvolvimento do Baixo Vouga

ALGUNS APONTAMENTOS PARA UMA ESTRAT脡GIA DE DESENVOLVIMENTO DO BAIXO VOUGA

S贸nia Filipe 150

"N茫o h谩 territ贸rios em crise,
h谩 somente territ贸rios sem projecto"
(BENKO, 2001: 37).


Nota pr茅via

O presente trabalho corresponde grosso modo a um exerc铆cio te贸rico, acad茅mico, elaborado no decurso da parte escolar do Mestrado em Arqueologia Regional leccionado no Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, no 芒mbito do Semin谩rio de Estrat茅gias de Desenvolvimento para as Beiras, o que determinou a sua estrutura organizativa bem como os conte煤dos.
N茫o tendo n贸s por forma莽茫o acad茅mica base a Economia, esta reflex茫o n茫o pode ter a pretens茫o de indicar um modelo econ贸mico a seguir, mas antes alertar para algumas quest玫es que julgamos pertinentes no 芒mbito da gest茫o sustentada dos recursos e do territ贸rio pelas comunidades locais.

1. Introdu莽茫o

Tendo por base o territ贸rio da Regi茫o Centro 鈥 tradicionalmente denominado por Beiras 鈥, o presente trabalho tem por objectivo caracterizar uma sub-regi茫o deste largo espa莽o geogr谩fico: a 谩rea (NUTE III) do Baixo Vouga.

Desta forma, depois de uma breve caracteriza莽茫o do territ贸rio e dos recursos da Regi茫o Centro, passaremos num segundo momento para a caracteriza莽茫o do Baixo Vouga 鈥 faixa territorial que se espraie do litoral oce芒nico em direc莽茫o ao interior 鈥, procurando reconhecer-lhe os tra莽os gerais que lhe conferem uma mesma identidade, bem como aqueles que lhe marcam as diferen莽as. S贸 desta forma poderemos depois (re)conhecer os valores patrimoniais (materiais e imateriais) pass铆veis de ser potenciados economicamente para, desta forma conduzir a pol铆ticas/ac莽玫es/iniciativas je desenvolvimento local.

Uma vez que o objectivo fundamental desta reflex茫o 茅 fornecer ferramentas que nos permitam desenvolver estrat茅gias para desenvolver s铆tios/lugares/paisagens a partir do seu valor patrimonial, nomeadamente o arqueol贸gico, s贸 depois de um reconhecimento pr茅vio does) espa莽o(s) onde nos movimentamos, poderemos passar 脿 enumera莽茫o do patrim贸nio (edificado, no subsolo e imaterial) para, ent茫o, reflectir ;obre a estrat茅gia de desenvolvimento adoptada pelo Plano de Desenvolvimento regional, especificamente quanto 脿 gest茫o do conjunto patrimonial reconhecido e ao :eu aproveitamento como factor de desenvolvimento para a economia desta regi茫o.
A zona do Baixo Vouga 茅 pautada por uma grande unidade conferida pelo mar/linha de costa, mas que, ao mesmo tempo incorpora uma paisagem interior de altura, o que vai condicionar, pelas inerentes diferen莽as, uma an谩lise integral do potencial patrimonial que possui. Por isso, opt谩mos por nos centrarmos na 谩rea constitu铆da pela zona urbana de Aveiro 鈥 脥lhavo. Esta escolha tem por base uma identidade fornecida por indicadores comuns. O Oceano, o sistema lagunar da Ria de Aveiro, o rio Vouga, as mat茅rias-primas dispon铆veis, as actividades extractivas e transformadoras ainda hoje praticadas, mas fruto de um saber acumulado.

Pareceu-nos reconhecer uma base territorial s贸lida, alicer莽ada por actividades humanas seculares que permitem a adop莽茫o de iniciativas baseadas na defesa e valoriza莽茫o de um patrim贸nio vasto e diversificado. Destacam-se as actividades relacionadas com a linha de costa oce芒nica: a pesca (costeira e long铆nqua) e a constru莽茫o naval; as que dependem directamente do peculiar sistema lagunar, principalmente a extrac莽茫o de sal; e as que, recolhendo as facilidades de navegabilidade dos in煤meros canais existentes e a proximidade das mat茅rias-primas se multiplicaram, desde pelo menos o per铆odo romano. Encontram-se neste 煤ltimo caso essencialmente as m煤ltiplas unidades de fabrico de cer芒mica, desde a cer芒mica estrutural (de constru莽茫o), 脿 utilit谩ria, 脿 produ莽茫o de faian莽as e porcelanas.

A linha de costa, ou melhor, a altera莽茫o da mesma at茅 momentos muito recentes em termos hist贸ricos, condicionou a evolu莽茫o da ocupa莽茫o humana deste espa莽o. Talvez este factor justifique o n煤mero reduzido de esta莽玫es/s铆tios arqueol贸gicos identificados at茅 ao momento. Excep莽茫o seja feita 脿 arqueologia subaqu谩tica.

Tent谩mos na parte final do trabalho perceber at茅 que ponto estes contributos espec铆ficos, ligados 脿 arqueologia e ao patrim贸nio, t锚m sido valorizados e utilizados como estrat茅gia de desenvolvimento para esta regi茫o. Neste sentido, apontam-se algumas conclus玫es e deixam-se algumas sugest玫es.

2. Caracteriza莽茫o sum谩ria da Regi茫o Centro

Herdeira de um vasto territ贸rio tradicionalmente denominado por Prov铆ncia da Beira ou territ贸rio das Beiras151, a Regi茫o Centro converte-se naturalmente em tema de estudo no 芒mbito deste Semin谩rio.

A Regi茫o Centro 茅 a unidade de gest茫o do territ贸rio que ocupa uma posi莽茫o central no pa铆s, entre o Norte e o Sul, limitada pelo Atl芒ntico a poente mas estendendo-se at茅 ao interior da Pen铆nsula para leste. Precisamente pela posi莽茫o que ocupa, constitui um "espa莽o charneira" e de articula莽茫o em termos f铆sicos, econ贸micos, sociais e culturais (Gaspar, 2002: 5).

Territ贸rio de excel锚ncia, ocupa 23 668 km2 onde se concentram 17,2% da popula莽茫o nacional. Este espa莽o 茅 feito de realidades distintas mas complementares. A geologia e a geomorfologia concretizam a primeira grande clivagem neste territ贸rio. A uma zona litoral de natureza sedimentar, contrap玫e-se um interior mesetanho, de onde se ergue toda uma cortina de importantes acidentes orogr谩ficos de altura, com destaque para a Cordilheira Central (onde se posiciona a Serra da Estrela).

Destas diferen莽as f铆sicas, moldadas pela ac莽茫o humana ao longo de mil茅nios, resulta uma multiplicidade de paisagens, desde longos prados junto 脿 ria de Aveiro, encostas vinhateiras cuidadosamente cuidadas, 谩reas de pr谩tica de agricultura intensiva "dentro" dos vastos pinhais das G芒ndaras e da pen铆nsula das Gafanhas, a regi茫o do D茫o com a sua paisagem vin铆cola, a agricultura florescente da Cova da Beira, as vastas 谩reas de pinhal do Pinhal Interior (GASPAR, 1993: 70), entre outras, que constituem uma enorme mais valia paisag铆stica de enorme valor tur铆stico.

A regi茫o Centro (NUTE II) 茅 composta por 10 NUTE III, a saber: Baixo Vouga (fruto de an谩lise posterior), Baixo Mondego, D茫o 鈥 Laf玫es, Pinhal Litoral, Pinhal Interior Norte, Pinhal Interior Sul, Serra das Estrela, Beira interior Norte, Beira Interior Sul e Cova da Beira. Neste espa莽o estruturam-se 78 munic铆pios.

Esta regi茫o apresenta um forte desequil铆brio demogr谩fico entre litoral e interior, sendo que o primeiro 茅 populoso e urbanizado, e o segundo possui uma ocupa莽茫o humana menos densa. Esta popula莽茫o encontra-se distribu铆da segundo um modelo de povoamento de onde se destacam oito cidades que concentram na sua proximidade cerca de 75% do total da popula莽茫o da Regi茫o Centro (Minist茅rio do Planeamento, 1999: I-164).

N茫o encontramos na Regi茫o Centro grandes cidades. No entanto, toda esta 谩rea 茅 marcada pela presen莽a de um conjunto de sistemas urbanos152 que articulam e estruturam territ贸rios (sempre que em raios de acesso autom贸vel at茅 meia hora se concentrem 100 000, 150 000 ou mais habitantes). "Trata-se de "constela莽玫es" de cidades e vilas que podem extrair novas oportunidades das suas capacidades de interac莽茫o e da rela莽茫o com os espa莽os rurais que estruturam" (Minist茅rio do Planeamento, 1999: I-169). Ser茫o estes sistemas urbanos que se tomam efectivamente relevantes para a estrutura莽茫o do territ贸rio regional. E s茫o eles tamb茅m que explicam o porqu锚 da n茫o exist锚ncia de uma capital desta regi茫o, papel tradicionalmente atribu铆do a Coimbra, mas sem que esta cidade o tenha assumido explicitamente. Este factor implica ainda que se assuma a necessidade de criar uma estrat茅gia especificamente para esta regi茫o, que possui um sistema de organiza莽茫o territorial polinucleado.

Este sistema urbano possui virtual idades que n茫o devem ser descuradas, uma vez que se baseia em "especializa莽玫es funcionais" que se complementam e articulam a n铆vel regional (GASPAR, 1993: 73). S茫o estas cidades de dimens茫o m茅dia que tomam papel de intermedi谩rios entre o rural e o urbano, revitalizando econ贸mica, demogr谩fica e socialmente os espa莽os rurais que articulam, "representando os agentes mais din芒micos das novas rela莽玫es de parceria entre o campo e a cidade" (GASPAR, 2002: 9), tomando-se num trunfo para o desenvolvimento da Regi茫o Centro.

Para al茅m dos territ贸rios estruturados pelos eixos de desenvolvimento proporcionados pelos sistemas urbanos, esta regi茫o possui espa莽os lim铆trofes, que correm o risco de vir a ser marginalizados e/ou exclu铆dos das pol铆ticas de desenvolvimento territorial que visem a transforma莽茫o da regi茫o.

Em termos industriais dominam as pequenas e m茅dias empresas, muito diversificadas em termos sectoriais, predominando a metalomec芒nica ligeira, material de transporte, o sector t锚xtil, a celulose e madeiras, o sector agro-alimentar e uma s茅rie de ramos minerais n茫o met谩licos. Particular import芒ncia deve ser atribu铆da 脿 ind煤stria de moldes para pl谩sticos, pela qualidade dos servi莽os prestados e pela projec莽茫o, nacional e internacional que esta actividade adquiriu.

A actividade agr铆cola det茅m ainda um peso importante, estando na base da economia familiar, realizada muitas vezes em complementaridade com postos de trabalho no sector secund谩rio ou terci谩rio.

Este territ贸rio de excel锚ncia possui 9 institui莽玫es do ensino superior que podem estruturar a necessidade de desenvolver uma "cultura de inova莽茫o (tecnol贸gica, cultural, social)", de forma a valorizar os recursos humanos.

Encontramo-nos assim perante uma regi茫o rica e diversificada, s贸 muito sumariamente caracterizada, com grandes potencialidades de desenvolvimento end贸geno, precisamente se explorar as suas diversidades de forma complementar e integrada, apostando no desenvolvimento de uma cultura de exig锚ncia e qualidade, potenciando os recursos das 谩reas de baixa densidade (nomeadamente o patrim贸nio e a paisagem), consolidando os sistemas urbanos territoriais, pe莽as chave da estrat茅gia de desenvolvimento adoptada e a adoptar para esta regi茫o. O vasto patrim贸nio edificado, no subsolo, material (os comeres, os beberes, os trajes), e imaterial (aquele que faz parte da estrutura identit谩ria das popula莽茫o: o sentimento de perten莽a, os valores, as tradi莽玫es, as cren莽as), s茫o pontos fortes a favor do desenvolvimento sustentado desta regi茫o.

Passamos agora 脿 an谩lise de uma sub-regi茫o deste espa莽o, o Baixo Vouga.

3. Um caso de estudo: o Baixo Vouga

3.1 Caracteriza莽茫o do territ贸rio analisado: conhecer para valorizar

O Baixo Vouga corresponde a um territ贸rio ligeiramente triangular que, desde Ovar se estende ao longo da costa atl芒ntica at茅 Vagos atingindo o seu v茅rtice interior na regi茫o de Sever do Vouga. A esta 谩rea 茅 conferida uma certa identidade pela presen莽a de uma das maiores bacias hidrogr谩ficas deste regi茫o: a do Vouga, mais concretamente o curso inferior deste rio. De import芒ncia fundamental neste caso 茅 o peculiar acidente f铆sico que tem a sua express茫o m谩xima em Aveiro (que lhe d谩 o nome), e que se denomina Ria de Aveiro. Trata-se de um sistema intrincado de canais de 谩gua, com 45 km de extens茫o, de v谩rios afluentes subsidi谩rios do rio Vouga que tamb茅m aqui vai desaguar, que entram em contacto com o mar.

O Baixo Vouga 茅 constitu铆do por 12 munic铆pios: 脕gueda, Albergaria-a-Velha, Anadia, Aveiro, Estarreja, 脥lhavo, Mealhada, Murtosa, Oliveira do Bairro, Ovar, Sever do Vouga e Vagos. Podemos apresentar muito sumariamente estes concelhos para depois incidirmos a nossa an谩lise na 谩rea sub-regional escolhida.
脕gueda possui 20 freguesias no seu concelho, ocupando 333,5 km2 de 谩rea ocupados, em 2001, por 49016 habitantes (CCRC, 2001: 92).

脕gueda 茅 um concelho marcado por uma industrializa莽茫o difusa e uma ocupa莽茫o urbana tamb茅m algo difusa. O sector secund谩rio d谩 o mote ao desenvolvimento econ贸mico local, com particular incid锚ncia para a ind煤stria metalomec芒nica (54, 7%), mas com os sectores da cer芒mica e dos t锚xteis a possuir algum peso relativo. 脡 conhecida como a capital da "ind煤stria das duas rodas" (fabrico de ve铆culos de duas rodas motorizados e n茫o motorizados).

Em termos culturais, deveria aproveitar a mais valia oferecida pela tradi莽茫o na "ind煤stria das duas rodas", revitalizando espa莽os industriais que n茫o cumpram mais essa fun莽茫o e/ou promovendo ac莽玫es espec铆ficas de reabilita莽茫o dessa actividade.

O concelho de 脕gueda convive com o bin贸mio da urbanidade/ruralidade dentro do seu territ贸rio, devendo potenciar os espa莽os de baixa densidade. O recurso ao seu patrim贸nio edificado, a cria莽茫o de circuitos tur铆sticos que visem conhecer o seu patrim贸nio milenar pode ser uma boa op莽茫o, j谩 que muitos dos s铆tios arqueol贸gicos identificados se encontram em 谩reas perif茅ricas. O expoente m谩ximo de testemunho de ocupa莽茫o humana no passado 茅, em termos arqueol贸gicos, o s铆tio do Cabe莽o do Vouga.

Este espa莽o com ocupa莽茫o proto-hist贸rica, romana e medieval, tem sido apontado como poss铆vel localiza莽茫o da civitas de Talabriga, referida nas fontes cl谩ssicas. No entanto, hoje aponta-se como mais prov谩vel que este s铆tio correspondesse a um vicus (aglomerado urbano secund谩rio) importante ao longo da via Olisipo-Bracara, controlando um importante ponto de passagem do Vouga e do MarneI.

Na Idade M茅dia uma comunidade ter谩 tentado estabelecer-se neste local, aparecendo na documenta莽茫o como civitas MarneI. 脕gueda aparece ainda num itiner谩rio do per铆odo isl芒mico (o texto refere a alcaria de 脕gueda). Ter谩 sido a sua localiza莽茫o geogr谩fica, a sua excelente posi莽茫o entre v谩rios eixos de comunica莽茫o que potenciaram a fixa莽茫o humana neste local desde, pelo menos, o per铆odo romano. O Cabe莽o do Vouga parece-nos ser aquele que melhores condi莽玫es oferece em termos de musealiza莽茫o e integra莽茫o num circuito tur铆stico, integrando este peda莽o do passado colectivo num percurso de explora莽茫o da natureza, por exemplo.

Albergaria-a-Velha ocupa 156 km2 de 谩rea, onde se distribuem 8 freguesias habitadas por 24612 pessoas. Este concelho tem uma forte vertente industrial, essencialmente pela presen莽a de ind煤strias ligadas 脿 metalomec芒nica e 脿 fundi莽茫o, 脿s confec莽玫es e 脿 transforma莽茫o de madeiras. O sector terci谩rio encontra-se em expans茫o neste concelho onde o sector prim谩rio quase n茫o tem express茫o (CCRC, 2001: 96).

Albergaria possui v谩rios im贸veis classificados pelo IPPAR, nomeadamente a mamoa de A莽ores que atesta a ocupa莽茫o humana nesta zona desde o IV mil茅nio a.C.

Falar de patrim贸nio arqueol贸gico no concelho de Albergaria-a-Velha 茅 falar incontornavelmente da esta莽茫o arqueol贸gica do Cristelo da Branca, e da sua correspond锚ncia ou n茫o com a cidade romana de Talabriga, sede da gest茫o territorial de um longo espa莽o entre o Douro e o Vouga em per铆odo pr茅-romano e Romano altoimperial.

Tamb茅m neste concelho existem ainda outros testemunhos da ocupa莽茫o humana no passado, nomeadamente: as mamo as do Taco 1, 2 e 3 e a anta de Arrotas referidas em trabalho de Leite de Vasconcelos sobre Albergaria (1912); o monte de S. Juli茫o que corresponder谩 a um povoado proto-hist贸rico rodeado por um amuralhamento, cuja cronologia aferida pelo esp贸lio, se poder谩 situar no Bronze Pleno / Bronze Final (c.1400/800 a. C.). Neste local foi ainda assinalada a presen莽a de um monumento megal铆tico de cronologia anterior.

Infelizmente, os s铆tios arqueol贸gicos reconhecidos e inventariados n茫o se encontram actualmente em condi莽玫es que permitam a cria莽茫o de um circuito visit谩vel.

Importante seria identificar e escavar, segundo metodologia arqueol贸gica pr贸pria (WELLER, 2002), as salinas de Alquerubim referidas em documenta莽茫o medieval (sec. XI)153. Estas poderiam depois ser integradas depois num circuito tur铆stico mais vasto, transmunicipal, que tivesse por mote o conhecimento da evolu莽茫o da explora莽茫o do sal ao longo dos tempos hist贸ricos. Da mesma forma poder铆amos aproveitar a presen莽a destas salinas para mostrar a fragilidade da linha de costa e a interac莽茫o provocada at茅 脿 estabiliza莽茫o da abertura para o mar deste sistema lagunar.

Anadia tem a seu favor a posi莽茫o geogr谩fica, entre Aveiro e Coimbra, pr贸xima de eixos ferro e rodovi谩rios fundamentais. Merc锚 destas condi莽玫es, possui neste momento um tecido industrial diversificado, assumindo-se como importante centro industrial e de servi莽os. Tem por actividade tradicional a vit铆cola, uma vez que se encontra na Regi茫o Demarcada da Bairrada. Estas actividades s茫o praticadas entre as 15 freguesias que este concelho enquadra, em 217,1 km2 de 谩rea. Possu铆a em 2001 31574 habitantes (CCRC, 2001: 100).

A not铆cia de testemunhos do passado 茅 algo difusa e fortuita, o que condiciona neste momento a adop莽茫o de uma pol铆tica de gest茫o deste patrim贸nio e sua integra莽茫o em ac莽玫es mais vastas, com repercuss玫es positivas no desenvolvimento deste territ贸rio.

Aveiro 茅 um concelho que muito deve 脿s riquezas naturais da Ria; a pesca e a extrac莽茫o do sal constitu铆ram durante s茅culos as suas actividades econ贸micas de excel锚ncia. Ao mesmo tempo foi-se desenvolvendo a ind煤stria. A Ria de Aveiro constituiu, at茅 ao advento dos caminhos-de-ferro, uma aut锚ntica auto-estrada de mercadorias, pessoas, ideias e valores.

Actualmente a depend锚ncia da ria vai-se diluindo cada vez mais. A implanta莽茫o da Universidade nesta cidade foi important铆ssima, compensando a depress茫o verificada nos sectores tradicionais de actividade. Esta tomou-se receptora de novos postos de trabalho, criou novos consumos e forma recursos humanos cada vez mais qualificados. A pr贸pria cidade soube evoluir e dinamizar o sector terci谩rio tomando-se num grande centro prestador de servi莽os na Regi茫o Centro. Tudo isto se desenvolve em 199,8 km2 de 谩rea, onde habitam 73136 residentes (CCRC, 2001: 104).

Em termos culturais e patrimoniais, este concelho ser谩 alvo de uma an谩lise mais pormenorizada no sub cap铆tulo seguinte.
Estarreja 茅 um concelho com 108,1 km2 de 谩rea, 7 freguesias e registo de 28217 habitantes em 2001 (CCRC, 2001: 108). 脡 um importante centro industrial, cujo desenvolvimento se deve essencialmente 脿 sua posi莽茫o geogr谩fica, acessibilidade e concentra莽茫o demo gr谩fica. A proximidade de Aveiro 茅 fundamental na bolsa de emprego de Estarreja.

O Instituto Portugu锚s de Patrim贸nio Arquitect贸nico classificou at茅 ao momento quatro edif铆cios dos quais de destaca a casa-museu de Egas Moniz e sua propriedade. Em termos arqueol贸gicos s贸 de detectaram achados dispersos, embora esta zona fizesse parte do longo territ贸rio estruturado pela via romana que, de Braga descia at茅 Lisboa, em tempos romanos. Este eixo de comunica莽茫o continuou activo pelos per铆odos hist贸ricos sequentes e ainda hoje 茅 sobre ele que parcialmente se estrutura um eixo rodovi谩rio fundamental (EN1), e parte da linha ferrovi谩ria do Norte.

No territ贸rio hoje pertencente ao concelho de Estarreja existiu uma das par贸quias suevo-visig贸ticas do nosso territ贸rio (s茅c. V/VII): a par贸quia de Antuanne, pertencente 脿 diocese de Conimbria e seu limite norte. A sua localiza莽茫o exacta carece de comprova莽茫o arqueol贸gica, mas em nosso entender, poder谩 localizar-se numa pequena povoa莽茫o cujo top贸nimo 茅 precisamente Antu茫, no sop茅 da Senhora do Monte, 脿s portas da cidade de Estarreja. A comprovar-se esta localiza莽茫o seria de uma enorme mais valia para a cria莽茫o de uma estrat茅gia de desenvolvimento voltada para a valoriza莽茫o do patrim贸nio arqueol贸gico-cultural deste concelho.

O concelho de 脥lhavo possui s贸 4 freguesias, ocupa 75,1 km2 e 37103 habitantes (CCRC, 2001: 112). Caracterizar este concelho 茅 falar da sua tradi莽茫o mar铆tima, tanto na pesca costeira como na lida do mar, especialmente a pesca do bacalhau. Actualmente o seu tecido produtivo assenta nos sectores secund谩rio e terci谩rio, com especial refer锚ncia para o turismo de sol e mar que este concelho "vende" a cada 茅poca balnear. 脡 de destacar as ind煤strias ligadas ao sector da cer芒mica, especialmente a Vista Alegre, e a produ莽茫o de maquinaria.

Tamb茅m este concelho integrar谩 a an谩lise mais pormenorizada realizada no pr贸ximo ponto desta reflex茫o.

A norte de Coimbra, atravessado pelo IP1, o concelho da Mealhada, com 8 freguesias, ocupando 111,1 km2 habitados por 20763 pessoas (CCRC, 2001: 116). 脡 na qualidade dos seus produtos tradicionais, aliado 脿 riqueza da sua gastronomia que este concelho possui os seus maiores trunfos. 脡 reconhecido o seu vinho bem como o leit茫o 脿 moda da Bairrada. A este sector junta-se, em termos de dinamiza莽茫o econ贸mica, as ind煤strias ligadas ao sector da alimenta莽茫o e bebidas e dos minerais n茫o met谩licos.

Territ贸rio simultaneamente urbano e rural, o concelho da Mealhada possui os vest铆gios de um dos primeiros mosteiros do nosso territ贸rio, anterior 脿 nacionalidade (que, em conjunto com o mosteiro do Lorv茫o possu铆a a maior parte das propriedades localizadas entre o Douro e o Tejo): o mosteiro da Vacari莽a. Infelizmente, este patrim贸nio n茫o tem sido alvo do devido interesse pelas entidades locais e n茫o se encontra devidamente estudado nem preservado. Desta forma, inviabiliza-se o devido e merecido, retorno, quer 脿s popula莽玫es locais, quer ao transeunte que venha descobrir e usufruir das riquezas naturais e paisag铆sticas que o concelho possui. Neste concelho detecta-se ainda a presen莽a de quatro esta莽玫es ao ar livre (Pr茅-hist贸ria) 鈥 Ferraria, Fonte Fria 1 e 2 e Lajes/Ventosa do Bairro; um povoado no Alto da Ventosa, e, do per铆odo romano, dois marcos mi1i谩rios (Leira Grande e Mea1hada), que testemunham a passagem da via romana de liga莽茫o entre Lisboa e Braga, uma villa, um santu谩rio e um vicus (villa romana da Vimieira 鈥 cidade das Areias, Casal Comba e Igreja Velha respectivamente). No entanto este vasto patrim贸nio, que testemunha uma ampla diacronia de ocupa莽茫o deste espa莽o, n茫o se encontra escavado sistematicamente, o que impossibilita a sua usufrui莽茫o.

A Mealhada det茅m ainda todo um conjunto paisag铆stico e constru铆do de grande qualidade, verdadeiro s铆mbolo de refer锚ncia para toda a regi茫o: o Hotel Palace do Bu莽aco, sua mata envolvente, bem como todas as capelas e ermidas que nela se mant茅m, em conjunto com o Convento de Santa Cruz do Bu莽aco (conjunto monumental classificado pelo IPPAR). Este complexo de excel锚ncia 茅 um verdadeiro ex-libris da regi茫o.

O concelho da Murtosa vive essencialmente do turismo balnear e das paisagens oferecidas pela Ria de Aveiro. Em 73,7 km2 e com registo de 9391 habitantes em 2001, distribuem-se 4 freguesias (CCRC, 2001: 120) cuja hist贸ria se confunde com as hist贸rias ligadas aos pescadores e 脿 pesca, ao mar e 脿 Ria. Logicamente, a actividade industrial deste concelho est谩 intimamente ligado ao que ficou exposto, nomeadamente pela presen莽a de ind煤strias conserveiras e de transforma莽茫o de produtos agr铆colas.

Oliveira do Bairro 茅 um concelho que, tal como a Mealhada e Anadia, se encontra inserido na Regi茫o demarcada dos vinhos da Bairrada, da铆 que a base econ贸mica do concelho assente na cultura da vinha e na produ莽茫o e distribui莽茫o do vinho. Os sectores de actividade secund谩rio e terci谩rio t锚m vindo a tomar terreno, at茅 ent茫o principalmente prim谩rio, mais concretamente a agricultura. A economia concelhia cada vez se encontra mais integrada no contexto do eixo urbano 鈥 industrial Aveiro 鈥 脕gueda. Este concelho tem 6 freguesias, 21216 habitantes e ocupa 87,3 km2 da superficie nacional (CCRC, 2001: 124).

Segundo a base de dados do Instituto Portugu锚s de Arqueologia, em termos de patrim贸nio arqueol贸gico possui um povoado fortificado proto-hist贸rico (Bustos), um concheiro (tipo de povoamento t铆pico do Mesol铆tico) e duas esta莽玫es ao ar livre (oficinas de talhe) no rio Levira (Levira II, Levira I e III, respectivamente).

A riqueza em recursos naturais e uma localiza莽茫o favor谩vel contribu铆ram para a fixa莽茫o das popula莽玫es no concelho de Ovar. Se at茅 ao s茅culo XVIII a pesca assumiu papel preponderante na vida econ贸mica destas popula莽玫es, depois do fecho do cord茫o litoral e da estabiliza莽茫o da barra de entrada entre mar e ria, mais a sul, a ind煤stria veio substituir o seu perfil econ贸mico. Assume ainda import芒ncia o turismo balnear e a ind煤stria extractiva de minerais n茫o met谩licos de apoio 脿 produ莽茫o cer芒mica (茅 numa das suas freguesias 鈥 S. Vicente de Pereira 鈥 que se situam as primeiras explora莽玫es de caulino para o fabrico de porcelana pela F谩brica de Porcelanas da Vista Alegre). Ovar possui 8 freguesias, ocupa 149,9 km2 de 谩rea onde habitam 55178 pessoas (CCRC, 2001: 129).

Entre o litoral e a serra situa-se Sever do Vouga, detentor de um vasto patrim贸nio natural e edificado. Neste concelho, de 9 freguesias, com 129,9 km2 de 谩rea e registo de 13183 habitantes (CCRC, 2001: 132), tem-se tentado construir um percurso de desenvolvimento s贸lido e sustentado. Neste sentido, a actividade industrial tem crescido ligeiramente, enquadrada urbanisticamente em parques industriais, e apoiada pela excelente rede rodovi谩ria de suporte ao escoamento dos produtos aqui produzidos (nomeadamente o IP1 e o IP5). Os recursos paisag铆sticos deste concelho fazem com que a aposta no sector tur铆stico seja uma forte realidade, procurando para isso reabilitar espa莽os edificados a necessitar de recupera莽茫o e criando facilidades para uma boa frui莽茫o do contacto com a natureza.

O concelho de Sever do Vouga 茅 particularmente rico em termos de patrim贸nio arqueol贸gico, nomeadamente numa s茅rie de monumentos megal铆ticos j谩 classificados (D贸lmen da Arca da Cerqueira, D贸lmen da Casa da Moura, Monumento megal铆tico de Ch茫o Redondo 1 e 2, Monumentos megal铆ticos do Souto do Coval, Anta da Pedra da Moura) e por classificar.

Para al茅m deste vasto conjunto do per铆odo Neol铆tico, um conjunto de enigm谩ticas pinturas e gravuras ao longo do rio Vouga (at茅 ao momento a simbologia dos motivos n茫o foi ainda decifrada), encontramos ainda alguns tro莽os de vias de tra莽ado romano (dos quais s贸 a que se encontra no lugar de Ereira est谩 classificado) que certamente estruturariam uma rede de povoamento mais complexa do que aquela conhecida at茅 ao momento.

Acrescente-se ainda um conjunto de povoados de altura da Proto-Hist贸ria, e v谩rios ind铆cios de ocupa莽茫o humana no per铆odo romano. Parece-nos que este concelho possui o conjunto arqueol贸gico mais coerente de todo o Baixo Vouga, pass铆vel de integra莽茫o num circuito mais vasto de explora莽茫o e descoberta da natureza por novos "p煤blicos", motivados e interessados por este tipo de turismo de qualidade 鈥 o turismo que conjuga a vertente patrimonial com a redescoberta de espa莽os naturais de excel锚ncia.

Por fim, o concelho de Vagos, com 11 freguesias, 165,6 km2 de 谩rea e 22045 habitantes (CCRC, 2001: 136), continua a ter na agricultura e pecu谩ria as suas principais actividades econ贸micas. As actividades do sector secund谩rio s茫o maioritariamente relacionadas com a actividade cer芒mica (f谩bricas de porcelana, faian莽a, gr茅s, olaria e extrac莽茫o de barro). O turismo balnear tem tamb茅m algum peso relativo na economia concelhia com uma forte aposta no turista que compra "sol, areia e mar". O apoio a pr谩ticas tradicionais de pesca 鈥 arte x谩vega 鈥, aproveitadas turisticamente, traz um afluxo de pessoas a estas praias no Ver茫o. Nem sempre a realidade urbana foi bem gerida nestes espa莽os junto ao cord茫o litoral (por exemplo a praia da Vagueira), embora noutros casos ainda se respeitem as suas caracter铆sticas peculiares (praia do Are茫o).

Em termos de patrim贸nio arqueol贸gico, a falta de estudos de car谩cter regional aliada a uma 谩rea costeira s贸 recentemente ocupada pelo Homem, condicionam um insuficiente conhecimento neste dom铆nio. H谩 no entanto a referir a exist锚ncia das "paredes da Torre", junto 脿 ermida de N. Sr.陋 de Vagos (CARVALHAIS, 2000), que corresponder谩, muito provavelmente, a um farol de sinaliza莽茫o da linha de costa (s茅c. XI?). No centro de Vagos identificaram-se tamb茅m vest铆gios de ocupa莽茫o do per铆odo romano (entretanto destru铆dos), bem como junto ao cemit茅rio de Sosa.
3.2 O eixo Aveiro 鈥 脥lhavo: actividades provenientes de um saber acumulado

Depois de conhecermos sumariamente os concelhos que integram o Baixo Vouga, vamos agora incidir a nossa an谩lise sobre uma subunidade espec铆fica deste territ贸rio, definida pelos concelhos de Aveiro e 脥lhavo. A contiguidade geogr谩fica destes dois espa莽os, aliada a uma "promiscuidade" nas actividades de explora莽茫o dos recursos existentes, faz desta 谩rea uma realidade coerente de gest茫o do espa莽o, consegui da pelas complementaridades e solidariedades praticadas entre os diferentes agentes e actores econ贸micos.

Do ponto de vista da valoriza莽茫o do patrim贸nio, poder茫o surgir interac莽玫es entre os diversos agentes, que potenciem os recursos existentes e permitam desenvolver, de uma forma sustentada, as economias locais.

Aveiro 茅 cidade, sede de distrito e concelho com o mesmo nome. 脡 constitu铆do por 14 freguesias 154. 脡 totalmente dominada pela Ria de Aveiro, segundo Orlando Ribeiro "uma laguna fechada por uma restinga colmatada pelos aluvi玫es do delta interior do Vouga. Os canais e os bra莽os insinuam-se por uma terra rasa, banhada em humidade, retalhada de campos de milho e prados verdejantes, 煤nico s铆tio onde o mar domina toda a vida econ贸mica" (Ribeiro, 1986: 125).

Quanto ao patrim贸nio arqueol贸gico neste concelho, as marcas das mais antigas manifesta莽玫es da ocupa莽茫o humana pertencem ao megalitismo, ou seja, ao IV/III mil茅nio a.C., actualmente atestadas pelas marcas deixadas na topon铆mia (mama, mamarrosa, pedras da moura), ou mesmo pelos vest铆gios de um destes monumentos funer谩rios de antanho (povoa莽茫o de Mamodeiro). Da Idade do Bronze n茫o se conhecia at茅 h谩 pouco tempo nenhum vest铆gio arqueol贸gico. No entanto, recentemente uma equipa pluridisciplinar identificou em terrenos do campus universit谩rio de Santiago (Universidade de Aveiro) vest铆gios de cer芒micas e objectos l铆ticos que se enquadram tipologicamente neste per铆odo, a uma cota de 12 metros. As suspeitas motivadas pelo top贸nimo do local 鈥 Agra do Castro 鈥, levavam a que, j谩 desde a d茅cada de 40 do s茅culo passado, alguns autores155 sugerissem uma ocupa莽茫o humana para este espa莽o. S贸 agora surge a comprova莽茫o arqueol贸gica.

Quanto 脿 esta莽茫o arqueol贸gica de Cacia (lugar da Torre), o que subsiste 茅 claramente romano (Alarc茫o, 1988). Este s铆tio arqueol贸gico poder谩 corresponder a uma vil/a (unidade de explora莽茫o semelhante a um monte alentejano) portu谩ria, ou mesmo a um vicus, com indubit谩veis rela莽玫es com a linha de costa de ent茫o e as rela莽玫es fluviais e mar铆timas que se estabeleceriam neste per铆odo. Tem vest铆gios arqueol贸gicos que atestam a continuidade de ocupa莽茫o deste local para al茅m do per铆odo romano, nomeadamente durante a Antiguidade tardia (cer芒micas e moedas).
Durante o per铆odo romano e medieval as pequenas explora莽玫es, do tipo casal estariam localizadas em s铆tios excelentes para a pr谩tica agr铆cola. Alguns destes s铆tios possuiriam fomos de fabrico de cer芒mica e material de constru莽茫o (fomos de Eixo I e II), conjugando assim a facilidade de obten莽茫o de mat茅ria-prima, os conhecimentos t茅cnicos necess谩rios e as facilidades de escoamento destes produtos pela vasta rede de canais naveg谩veis existente.

Perspectiva de uma marinha de sal em labora莽茫o. Clicar para ampliar.

Zona de altitudes muito baixas, 茅 nos pontos mais altos que se posicionam os campos de cultivo e as povoa莽玫es, com habita莽玫es concentradas (ex. Aveiro e 脥lhavo), ou simplesmente habita莽玫es dispersas em pequenos casais (generalidade da estrutura habitacional das v谩rias freguesias do concelho de Aveiro).

Na zona mais baixa, estes espa莽os s茫o ainda pontuados pela explora莽茫o de uma verdadeira riqueza regional: o sal.

Perspectiva de uma marinha de sal em labora莽茫o.

Os mont铆culos brancos do salgado marcaram durante s茅culos o trabalho de uma parcela da popula莽茫o aveirense, determinando a paisagem com in煤meras salinas, servidas por uma densa e eficiente rede de canais.

Do sal aveirense h谩 in煤meras refer锚ncias documentais, muitas delas contidas numa colect芒nea documental editada pela C芒mara Municipal (MADAHIL, 1959) e refer锚ncias da Prof' Virg铆nia Rau e de Charles Lepierre (RAU, 1951; LEPIERRE, 1936), os quais se reportam tamb茅m 脿 pesca, ao pescado e aos pescadores e, mais modernamente, 脿quela que foi uma din芒mica actividade cer芒mica (Almeida, 2001: 6-7).

O concelho de 脥lhavo 茅 constitu铆do por 4 freguesias 156, das quais tr锚s se encontram em 谩reas s贸 recentemente ocupadas pelo homem, dada a sua forma莽茫o geomorfol贸gica recente. A sua confronta莽茫o com o oceano Atl芒ntico, a poente, constitui a sua melhor mais-valia. 脡 no mar e na ria que a hist贸ria das suas gentes se alicer莽a157, estando com eles confundida. 脡 tamb茅m a Ria e o Oceano que nos legam os mais antigos testemunhos arqueol贸gicos identificados at茅 ao momento (s茅cs. XIV/XV): os v谩rios barcos navios identificados (locais identificados por "Aveiro A" a "Aveiro F"). Decorrem actualmente projectos de investiga莽茫o orientados no sentido de "mapear" o subsolo aqu谩tico, e, posteriormente musealizar.

Processo tradicional de obten莽茫o de sal, numa das poucas salinas ainda activa de Aveiro. Clicar para ampliar.

Processo tradicional de obten莽茫o de sal, numa das poucas salinas ainda activa de Aveiro.

脥lhavo possui um Museu refer锚ncia no 芒mbito do patrim贸nio mar铆timo a que se junta desde h谩 pouco tempo o Navio-Museu Santo Andr茅 onde podemos experenciar a vida quotidiana num barco de pesca de bacalhau.

A pesca, tanto a long铆nqua como a costeira, constitui uma das actividades tradicionais de excel锚ncia desta zona (MARQUES e LOPES, 1996). Foi deste peda莽o de costa que, no s茅culo XV, os primeiros navegadores fUmaram ao norte, descobrindo a Gronel芒ndia e a Terra Nova, bem como a esp茅cie pisc铆cola proveniente destas 谩guas que se iria transformar num s铆mbolo nacional: o bacalhau.

A "faina maior" cedo se tomou imagem de refer锚ncia da actividade desenvolvida pelos homens das terras de 脥lhavo, sendo raro (at茅 脿 crise de finais da d茅cada de 1980 do s茅culo passado) existir uma fam铆lia neste concelho sem liga莽玫es 脿 pesca do bacalhau. As viagens pautavam o ritmo de toda a popula莽茫o: os nascimentos, os baptizados, os casamentos...

Em terra ficavam as mulheres que se dedicavam, indirectamente, ao mesmo ramo de actividade: a seca tradicional do bacalhau para posterior comercializa莽茫o (a par da agricultura, "trabalhar na seca" era mesmo a profiss茫o mais comum para as mulheres).

A par desta importante actividade, surge outra n茫o menos importante: a constru莽茫o naval.

Local de secagem tradicional do bacalhau, localmente designado por "seca". Clicar para ampliar.

Dada a sua localiza莽茫o, local de excel锚ncia de contacto com a 谩gua, desde sempre se deve ter desenvolvido esta actividade. Mesmo sem vest铆gios arqueol贸gicos que o confirme, 茅 muito prov谩vel que os v谩rios povos que pelo aportaram ao nosso territ贸rio (Fen铆cios, Romanos, 脕rabes), por c谩 tenham tido os seus portos e respectivos estaleiros. Ser谩 no entanto, com o s茅c XV, com o advento da pesca long铆nqua, que se instalaram e desenvolveram os estaleiros de constru莽茫o naval. Destes sa铆ram belos navios como os Lugres, os Patachos ou as Escunas. N茫o se pode falar desta arte sem referir o Mestre M贸nica, com os seus estaleiros em 脥lhavo e Gafanha da Nazar茅.

Local de secagem tradicional do bacalhau, localmente designado por "seca".

Actualmente ainda resistem alguns estaleiros, tanto os artesanais, que se dedicam principalmente 脿 constru莽茫o das embarca莽玫es da ria 鈥 o quase m铆tico barco moliceiro (at茅 ao momento 煤nica embarca莽茫o tradicional do pa铆s com interesse hist贸rico reconhecido e protegido), os barcos mercant茅is (transportavam o peixe dos barcos de pesca costeira para o mercado do peixe no centro da cidade), os barcos saleiros, de transporte do sal, os bat茅is, a barca "铆lhava" 鈥, como os industriais. Ainda 茅 poss铆vel encontrar bons executantes desta arte manual, com a sabedoria herdada dos antigos mestres, mas que j谩 n茫o se encontram em actividade por falta de trabalho. Excep莽茫o recente, verificou-se na (excelente) recupera莽茫o da fragata D. Fernando II e Gl贸ria, realizada em estaleiros da Gafanha da Nazar茅.

Depois desta curta apresenta莽茫o, parece ficar comprovada a contiguidade n茫o s贸 f铆sica mas s贸cio-cultural e econ贸mica que existe entre estes dois concelhos. Mais do que definir uma estrat茅gia (a tal n茫o nos atrever铆amos) que vise o desenvolvimento desta micro-regi茫o, parece-nos ser poss铆vel apontar medidas de ac莽茫o que complementem as mais gerais indicadas no Plano de Desenvolvimento Regional, visando potenciar os seus pontos fortes e diluir os fracos. Uma das mais fortes oportunidades de desenvolvimento deste espa莽o est谩 em "valorizar as promessas (recursos h铆dricos, turismo, amenidades)" (MINIST脡RIO DO PLANEAMENTO, 2001: I-178). Segundo este "a cultura abrange transversalmente a generalidade dos sectores da actividade econ贸mica e constitui um denominador comum 脿s pol铆ticas sectoriais e regionais" (MINIST脡RIO DO PLANEAMENTO, 2001: V -36), pelo que o
crescimento deste sector contribuir谩 decisivamente para um desenvolvimento sustentado deste espa莽o territorial. Para tal 茅 necess谩rio partir do pressuposto fundamental que um territ贸rio 茅 mais do que um mero espa莽o f铆sico que obedece a fronteiras artificias, mas antes um produto hist贸rico-cultural com capacidade de fomentar desenvolvimento a partir dos seus recursos end贸genos. A rela莽茫o estabelecida com o territ贸rio faz emergir um novo modelo econ贸mico: o do desenvolvimento local (VASQUEZ-BARQUERO, 2002).

Assumimos um territ贸rio, conhecemos-lhe as caracter铆sticas, o que o individualiza dos demais. Estes espa莽os s贸 concretizam fisicamente se existir uma intensa rede de rela莽玫es, um forte sentimento de perten莽a das comunidades locais. Ora tal existe neste caso; esta 谩rea ribeirinha possui uma heran莽a cultural constitu铆da pelos seus trajes, suas cren莽as, seu linguajar peculiar, suas actividades tradicionais de que muito se orgulha e pretende manter158. 脡 necess谩rio agora mostrar como podemos criar ac莽玫es mobilizadoras que potenciem estes factores.

Esta 谩rea possui tr锚s cidades (Aveiro, 脥lhavo e Gafanha da Nazar茅), duas das quais sede de concelhos. Sendo as cidades espa莽os por excel锚ncia de desenvolvimento e articula莽茫o dos espa莽os que envolvem, existe desta forma um 贸ptimo ponto de partida.

O patrim贸nio arqueol贸gico n茫o apresenta uma coer锚ncia pass铆vel de se transformar em factor de desenvolvimento per si. A falta de projectos de estudo sistem谩ticos nesta 谩rea muito tem condicionado a evolu莽茫o do conhecimento da ocupa莽茫o humana neste espa莽o. Seria interessante conduzir um projecto
pluridisciplinar de estudo da evolu莽茫o da linha de costa, onde se confrontassem, pelo menos, os documentos medievos, a arqueologia e a geologia.
Pelo contr谩rio, o conjunto de actividades econ贸micas de cariz tradicional que enumeramos apresentam uma coer锚ncia tal que podemos entend锚-las como pertencentes a um potencial circuito. Permitir a continuidade destas actividades e integr谩-las num percurso tur铆stico de qualidade poderia n茫o s贸 desenvolver os sectores que normalmente andam "a reboque" do turismo (restaura莽茫o e hotelaria), como tamb茅m, e fundamentalmente, fomentar a forma莽茫o de recursos humanos voltados para estas tarefas especializadas (e a absor莽茫o da existente actualmente a trabalhar em 谩reas que n茫o t锚m directamente a ver com as compet锚ncias que possuem), permitir a continuidade de empresas dedicadas a estas actividades tradicionais, mediante apoios espec铆ficos neste sentido.

A partir da paisagem 煤nica e singular desta zona lagunar de Aveiro, os turistas poderiam ser transportados, 脿 semelhan莽a do que j谩 acontece durante o Ver茫o, em moliceiros pelos canais, fazendo uma primeira paragem no Ecomuseu da Troncalhada, uma salina da C芒mara Municipal de Aveiro adaptada a esta fun莽茫o. Aqui pode-se tomar conhecimento da tradi莽茫o local da extrac莽茫o do sal e da sua metodologia. Os marnotos e as salineiras poderiam estar a trabalhar in loco, mostrando n茫o s贸 o processo f铆sico de produ莽茫o, mas revelando ainda tudo aquilo que n茫o 茅 fisico: o traje, a g铆ria, os h谩bitos alimentares, ...

Continuando a viagem, o segundo ponto de paragem seria junto dos cais dos barcos de pesca long铆nqua. Aqui encontram-se os estaleiros de constru莽茫o naval, as empresas de pesca, as "secas" de bacalhau (algumas ainda praticam a seca do peixe ao ar livre, com dezenas de mulheres a realizar esta tarefa), os barcos de pesca atracados 脿 espera de nova viagem, ...

Barcos moliceiros de transporte de turistas na Ria de Aveiro. Clicar para ampliar.

Barcos moliceiros de transporte de turistas na Ria de Aveiro.

聽 聽 聽
聽

Perspectiva do Ecomuseu da Troncalhada, com sal 脿 entrada, produzido localmente.

聽

Perspectiva do cais de pesca long铆nqua do Porto de Aveiro, localizado na Gafanha da Nazar茅.

聽

A visita continuaria em direc莽茫o ao forte da Barra, onde se encontra o navio museu Santo Andr茅, um antigo bacalhoeiro adaptado a estas novas fun莽玫es.
Depois de conhecer por dentro as condi莽玫es de uma pequena comunidade de homens que se dedica 脿 pesca do "fiel amigo", a visita continuaria at茅 脿 sa铆da da Barra159, contacto entre o oceano e a Ria.

聽 Navio museu Santo Andr茅 (antigo barco bacalhoeiro). Clicar para ampliar. 聽 ocaliza莽茫o do Navio museu Santo Andr茅 (Forte da Barra). Clicar para ampliar. 聽
聽 Navio museu Santo Andr茅 (antigo barco bacalhoeiro) 聽 Localiza莽茫o do Navio museu Santo Andr茅 (Forte da Barra) 聽

As diversas ilhas que existem entre os canais poderiam ser aproveitadas no sentido de a铆 se estabelecerem pontos de apoio a este circuito. A zona do forte da Barra encontra-se neste momento muito subaproveitada. Neste espa莽o poderiam nascer estruturas ligadas 脿 hotelaria e 脿 restaura莽茫o, que tirassem partido da paisagem 铆mpar que se desfruta a partir do Castelo da Gafanha (um dos poucos monumentos classificados pelo IPPAR no concelho de 脥lhavo), com a localidade da Praia da Barra em frente, no pequeno cord茫o de areias que separa o sistema lagunar do oceano.

Um circuito integrado, que englobe o conhecimento de bens e saberes tradicionais que existem nos dois concelhos, n茫o est谩 ainda implementado.

A Ria de Aveiro 茅 uma aut锚ntica certid茫o de nascimento desta comunidade. Um percurso com estas caracter铆sticas seria necessariamente acompanhado pela observa莽茫o de uma fauna e flora 煤nicas, conjugando-se assim o turismo de descoberta da natureza com a vertente patrimonial dos s铆tios a visitar.
a conhecimento deste espa莽o s贸 estaria conclu铆do com um percurso terrestre pelos n煤cleos urbanos, com a visita, em 脥lhavo ao Museu Mar铆timo e Regional, e, em Aveiro, ao desenvolvimento da cidade respeitando e mantendo os seus canais. Paralelamente, poderiam existir percursos alternativos, mais voltados para a perman锚ncia de bolsas de rural idade nesta faixa de terreno t茫o densamente (e desordenadamente) urbanizada.

Por fim, a valoriza莽茫o do patrim贸nio gastron贸mico.

Este circuito levaria certamente 脿 descoberta de outros bens patrimoniais, como o lugar da Vista Alegre, em 脥lhavo, com a sua quase bicenten谩ria f谩brica de vidros (nas suas primeiras d茅cadas de labora莽茫o) e porcelana e o seu caracter铆stico bairro social; as fachadas ao estilo Arte Nova em Aveiro e 脥lhavo; o "museu vivo de arquitectura" que a Universidade constitui; movimentando e dinamizando desta forma amplos sectores da economia regional.

Parece-nos que esta hip贸tese 茅 exequ铆vel, desde que para isso os diversos actores e institui莽玫es, p煤blicas e privadas, cheguem a uma concerta莽茫o.

A regi茫o possui os recursos para trilhar um caminho de desenvolvimento sustentado: 茅 auxiliada por uma boa rede de infra-estruturas rodovi谩rias (EN1, IP5 e A1), ferrovi谩ria (Linha do Norte), portu谩ria fluvial e mar铆tima e mesmo o aer贸dromo de S茫o Jacinto que embora militar, est谩 aberto ao tr谩fego civil. Falta talvez melhorar a rede rodovi谩ria de apoio, de car谩cter intermunicipal. Possui tamb茅m m茫o-de-obra especializada subaproveitada que poderia ser canalizada para estas actividades. A Universidade possui o dom铆nio de vastas 谩reas do saber necess谩rias 脿 execu莽茫o desta estrat茅gia: lecciona cursos como Biologia e Geologia, Economia, Novas Tecnologias de Comunica莽茫o, Engenharia do Ambiente e do Planeamento, entre outras, que poder茫o contribuir para a realiza莽茫o de diversas actividades voltadas para a usufrui莽茫o da comunidade.

Existem as acessibilidades base. 脡 necess谩rio saber como ir para al茅m delas.

Uma vez que "todo o diagn贸stico 茅 j谩 uma estrat茅gia", parece ter ficado exposto aqui pelo menos uma boa caracteriza莽茫o das potencialidades da regi茫o estudada. Atrav茅s de uma din芒mica de trocas entre espa莽os f铆sicos e actividades culturais destinadas a um p煤blico-alvo poderemos ir construindo, pouco a pouco, uma nova forma de explorar o territ贸rio, desenvolvendo-o de um forma coerente e sustentada.

Todo este processo estar谩 condenado 脿 nascen莽a se a comunidade n茫o tiver em rela莽茫o a este territ贸rio um sentimento de posse, de perten莽a, se n茫o se envolver e acreditar nas pol铆ticas seguidas. A ausculta莽茫o da popula莽茫o 茅 fundamental em qualquer medida desta dimens茫o. Parece-nos, mais uma vez, que, neste caso esta quest茫o dificilmente se por谩.

4. Reflex玫es finais

O objectivo deste estudo era reconhecer as potencialidades de um espa莽o concreto 鈥 o Baixo Vouga, mais concretamente o (sub)eixo Aveiro-脥lhavo 鈥, e procurar estabelecer alguma metodologia de ac莽茫o que possibilitasse o seu desenvolvimento sustentado a partir de uma base patrimonial. Parece-nos que o primeiro ponto foi conseguido.

A Regi茫o Centro det茅m, merc锚 da sua posi莽茫o geogr谩fica condi莽玫es de desenvolvimento excelentes, no contexto do nosso territ贸rio nacional.

Alicer莽ada num sistema urbano polinucleado, com oito cidades de dimens茫o m茅dia e sistemas urbanos que se articulam entre si, formando eixos de desenvolvimento, esta Regi茫o pode potenciar os seus recursos (naturais, patrimoniais, humanos), de forma a conseguir trilhar um caminho de desenvolvimento econ贸mico a partir de um modelo de desenvolvimento local. Desta forma, poder谩 tirar partido da diversidade que encerra em si.
Os dez concelhos que constituem o Baixo Vouga possuem caracter铆sticas pr贸prias que permitem reconhecer uma grande diversidade de "paisagens culturais". De entre os seus recursos emerge o potencial cultural, na sua vertente do patrim贸nio (nomeadamente o arqueol贸gico). O concelho de Sever do Vouga parece ser o que melhor pode dinamizar o seu patrim贸nio arqueol贸gico, pela coer锚ncia que este conjunto possui. Neste concelho a dinamiza莽茫o da frui莽茫o dos espa莽os arqueol贸gicos representa uma aposta segura no 芒mbito de uma pol铆tica de desenvolvimento local.

De entre o Baixo Vouga elegemos um pequeno territ贸rio, articulado pelas cidades de Aveiro e 脥lhavo.

N茫o nos parece ser poss铆vel desenvolver uma estrat茅gia estruturada a partir unicamente do patrim贸nio arqueol贸gico at茅 agora identificado neste territ贸rio. Pelo contr谩rio, neste espa莽o coexistem uma s茅rie de actividades tradicionais, fruto de um saber acumulado, que, articulados entre si, podem constituir factores de desenvolvimento end贸geno. A extrac莽茫o do sal, a pesca, a constru莽茫o naval, constituem verdadeira heran莽a cultural, definindo a estrutura identit谩ria das popula莽玫es que ocupam. Isto com tudo o que de material e imaterial lhe corresponde.

Depender谩 do envolvimento de todos os actores e agentes econ贸micos estruturar e tomar vi谩vel a prossecu莽茫o de uma estrat茅gia dirigida para a dinamiza莽茫o deste patrim贸nio. A componente cultural, pela transversalidade que a caracteriza, poder谩 ser verdadeiro factor de desenvolvimento, neste ou noutros espa莽os territoriais. Basta para isso uma conjuga莽茫o de vontades e a assun莽茫o desta pol铆tica pela comunidade local. Se estas medidas n茫o forem sentidas, aceites e vividas pelas pessoas destes espa莽os, estas pol铆ticas dificilmente ter茫o bons resultados. As pol铆ticas/medidas devem ser assimiladas pelos agentes locais, complementadas por iniciativas de car谩cter local. S茫o os sentimentos de perten莽a que permitem identificar um territ贸rio e desenvolv锚-lo.

O territ贸rio de Aveiro / 脥lhavo apresenta os recursos para que se possam desenvolver estrat茅gias que conduzam a um desenvolvimento sustentado.

Importa fazer do passado deste territ贸rio um passaporte para um futuro sustentado.

_____________________________________

NOTAS:

(150) 鈥 Arque贸loga, mestranda em Arqueologia Regional na FLUC.

(151) 鈥撀 "O Centro corresponde, de algum modo, 脿 antiga prov铆ncia da Beira ou das Beiras, que tem a sua primeira delimita莽茫o como comarca no s茅culo XIII, confinando-se a um territ贸rio interior, entre Douro e Tejo, que ia da fronteira at茅 sensivelmente ao meridiano de Viseu. Desde ent茫o a Beira "cresceu" na direc莽茫o do Litoral" (GASPAR, 1993: 65).

(152) 鈥 Falamos de 5 sistemas urbanos: 1. Coimbra 鈥 Figueira da Foz; 2. Aveiro 鈥 脥lhavo 鈥 脕gueda 鈥 Oliveira do Bairro; Leiria 鈥 Marinha Grande; 4. D茫o 鈥 Lat玫es, com centro em Viseu; 5. Guarda 鈥 Covilh茫 鈥 Fund茫o Castelo Branco.

(153) 鈥 "J谩 o invent谩rio das propriedades e igrejas de Guimar茫is, de 1059, regista a vil/a alcaroubim integra et cum sua prestancia te cum suas salinas, remetendo para o c茅lebre testamento da riqu铆ssima Mumadona (Dias), de 959, que inclu铆a "in territ贸rio Colimbrie villa de alcaroubim.." (...) Alquerubim e S. Jo茫o de Loure ficavam 谩 vista do oceano e era poss铆vel a exist锚ncia da marinhas nesses lugares, muito distantes hoje da linha de mar茅" (MADAHIL, 1938: 72)

(154) 鈥 As freguesias do concelho de Aveiro s茫o: Aradas, Cacia, Eira!, Eixo, Esgueira, Nariz, Nossa Senhora de F谩tima, Nossa Senhora da Gl贸ria, Oliveirinha do Vouga, Requeixo, Santa Joana, S茫o Bernardo, S茫o Jacinto e Vera Cruz.

(155) 鈥 Alberto Souto, em 1942, escrevendo sobre os Castros que experimentaram romaniza莽茫o refere que "havendo entre eles alguns como (...) Verdemilho de Aveiro, que n茫o oferecem qualquer documento ou vest铆gio de habita莽茫o e cultura e que apenas se identificam pela persist锚ncia do top贸nimo nos respectivos locais..." (SOUTO, 1942: 14). Tamb茅m Ant贸nio Manuel Silva elenca o castro entre as esta莽玫es castrejas entre o Douro e o Vouga (SILVA, 1994).

(156) 鈥 S茫o elas: S. Salvador (脥lhavo), Gafanha da Nazar茅, Gafanha da Encarna莽茫o e Gafanha do Carmo.

(157) 鈥 "脥lhavo, her贸ico poema / Escrito em sangue no mar! (...) 鈥 Can莽茫o de 脥lhavo, autoria de Guilhermino Ramalheira.

(158) 鈥 Ver a este prop贸sito as excelentes obras de car谩cter monogr谩fico e regional: sobre Aveiro, Cultura Popular em terras de Aveiro, de Ant贸nio Cap茫o; relativo a 脥lhavo a obra de Diniz Gomes, reeditada recentemente pela C芒mara Municipal, Costumes e Gentes de 脥lhavo e, do Padre Jo茫o Vieira Resende A monografia da Gafanha.

(159) 鈥 Esta barra foi aberta e estabilizada artificialmente em 1808. At茅 a铆 a abertura natural entre a laguna e o mar foi migrando de norte para sul, estando localizada em locais t茫o d铆spares como ao sul de Ovar (por volta do ano 1200) a norte, ou perto de Mira (em 1756), mais para o Sul.


Bibliografia

鈼 AAVV (1997), Boletim Municipal. Cultura e Patrim贸nio. C芒mara Municipal de Aveiro. Aveiro, Dezembro de 1997

鈼 AAVV (2001), AI-Madan. Arqueologia. Patrim贸nio. Hist贸ria local. Especial: 300 s铆tios Arqueol贸gicos visit谩veis em Portugal, lI陋 s茅rie, n.潞 10. Almada

鈼 ALARC脙O, Jorge de (1988), Roman Portugal, volume lI, Fasc. I. Porto e 3. Viseu. Aris & Philips Ltd - Warminster. England

鈼 ALMEIDA, Carlos Brochado de (2001), Carta Arqueol贸gica do concelho de Aveiro, C芒mara Municipal de Aveiro, Aveiro

鈼 ALMEIDA, Femando Ant贸nio (1989) Beira Litoral, com a coroa de Arouca, M贸bil Oil Portuguesa, Edi莽玫es Asa., Rio Tinto

鈼 AMORIM, In锚s (2001) Aveiro e os caminhos do Sal 鈥 da produ莽茫o ao consumo (s茅cs. XV a XX). C芒mara Municipal de Aveiro, Pelouro da Cultura.

聽

鈼 BENKO, George e PECQUER, Bernard (2002), "Os recursos do territ贸rio e os territ贸rios de recursos", Geosul, 32, pp 31-50

鈼 CAP脙O, Ant贸nio (1993), Cultura popular em terras de Aveiro. Etnografia e Literatura, Ac莽茫o Cat贸lica Rural, Aveiro

鈼 CARVALHAIS, Manuel Ant贸nio (2000), Santa Maria de Vagos. F谩brica da Igreja Paroquial de Vagos. Gr谩fica de Coimbra

鈼 CCRC (1999), Uma Regi茫o qualificada, activa e solid谩ria. Vis茫o sobre a regi茫o Centro para a pr贸xima d茅cada, Coimbra

鈼 CCRC (2001), Procentro. Programa operacional da Regi茫o Centro 1994-1999, Coimbra

鈼 GASPAR, Jo茫o Gon莽alves (1983), Aveiro. Notas Hist贸ricas, Edi莽茫o da C芒mara Municipal de Aveiro, Aveiro

鈼 GASPAR, Jorge (1993), As Regi玫es Portuguesas, Direc莽茫o Geral do Desenvolvimento Regional, Lisboa

鈼 GASPAR, Jorge (2002), A Regi茫o Centro, CCRC, Coimbra

鈼 GOMES, Diniz (1941), Costumes e Gente de 脥lhavo (reed. 1989). C芒mara Municipal de 脥lhavo, Gr谩fica do Vouga. Aveiro

鈼 IPPAR (2001), Pesquisa de Patrim贸nio. www.ippar.pt

鈼 LEPIERRE, Charles (1936), A Ind煤stria do Sal em Portugal. Inqu茅rito. Lisboa

鈼 MADAHIL, Ant贸nio Gomes Rocha (1938), "A carta de doa莽茫o de Alquerubim em 1090", Arquivo do Distrito de Aveiro, vol. IV, n潞 13, pp.71-74

鈼 MADAHIL, Ant贸nio Gomes Rocha (1922), Illiabum. S茅rie de subs铆dios para a hist贸ria de 脥lhavo. Gr谩fica Conimbricense, I - Um projecto de Bras茫o d'Armas concelhio, Coimbra

鈼 MADAHIL, Ant贸nio Gomes Rocha (1959), Milen谩rio de Aveiro, Colect芒nea de Documentos Hist贸ricos, vol. I - 959/1515. Aveiro

鈼 MARQUES, Francisco e LOPES, Ana Maria (1996), Faina Maior. A Pesca do Bacalhau nos Mares da Terra Nova. Quetzal Editores, Lisboa

鈼 MINIST脡RIO DO PLANEAMENTO (2001), Portugal 2000-2006. Plano de Desenvolvimento Regional. Lisboa

鈼 PORTO DE Aveiro (2002), Cat谩logo da Exposi莽茫o Hist贸rico-Documental do Porto de Aveiro. Um imperativo hist贸rico. Coord. de Mercedes Maia. 2陋 Edi莽茫o. Aveiro

鈼 QUADROS, Jos茅 R. Rangel de (1984), Aveiro. Origens, bras茫o e antigas freguesias, Paisagem Editora. Aveiro

鈼 RAU, Virg铆nia (1951), "A explora莽茫o e o consumo de sal de Set煤bal", Estudos de Hist贸ria Econ贸mica, Vol. Lisboa

鈼 RESENDE, Jo茫o Vieira (1944), Monografia da Gafanha (2陋 ed.), Coimbra Editora. Coimbra

鈼 RIBEIRO, Orlando (1986), Portugal, o Mediterr芒neo e o Atl芒ntico, Livraria S谩 da Costa, pp. 114-164 [2陋 ed.]

鈼 SILVA, Ant贸nio (1994), Proto-hist贸ria e romaniza莽茫o no entre Douro e Vouga Litoral 鈥 Elementos para uma avalia莽茫o cr铆tica. Disserta莽茫o de mestrado. FLUP. Porto

鈼 SOUTO, Alberto (1942), "Romaniza莽茫o no Baixo-Vouga", Trabalhos de Antropologia e Etnografia, fase. IV, vol. IX, Porto, pp.14

鈼 VASCONCELLOS, Jos茅 de Leite de (1912) "Mamoas de Albergaria-a-Velha", O Arque贸logo Portugu锚s, Lisboa. 1陋 s茅rie, 17,pp. 71-73.

鈼 VASQUEZ-BARQUERO, Ant贸nio (2002), Desenvolvimento End贸geno em Tempos de Globaliza莽茫o, Porto Alegre, UFRGS, pp 37-74

鈼 WELLER, O. (ed.) (2002), Arch茅ologie du sel. Techniques et soci茅t茅s dans la pr茅 et protohistorique europ茅enne / Salzarchiiologie. Paris

voltar

registos

  • artigos
  • patrim贸nio cultural
  • patrim贸nio natural
  • boletins
  • revista patrim贸nios
  • aderav
  • contactos
  • mapa do site
  • cr茅ditos

slideshow

12 de Maio 2005鈥 Dia da Cidade de Aveiro. Em Sess茫o Solene realizada neste dia no Sal茫o Nobre dos Pa莽os do Concelho de Aveiro, foi atribu铆da 脿 ADERAV a Medalha de M茅rito Municipal de Grau Prata pelo Exm.潞 Senhor Presidente da C芒mara Municipal de Aveiro, Dr. Alberto Afonso Souto de Miranda. in "Patrim贸nios" 鈥 n.潞 5, Julho 2005, Ano XXVI, 2陋 s茅rie.


漏 2012