28/01/2010
aderav defende o barreiro de aveiro
Toda a região de Aveiro é rica em argilas (os barros no vocábulo popular) que constituÃram e constituem ainda uma fonte riqueza para a economia regional, nomeadamente com a sua utilização na produção cerâmica.
Os dados arqueológicos conhecidos permitem afirmar que já existia a utilização de cerâmicas pelo Homem que habitava esta região a cerca de 5000 anos como o demonstra o arqueositio da Agra do Crasto no Campos Universitário em Verdemilho. Também para o perÃodo romano (Cacia) ou visigótico (Eixo) existem vestÃgios da produção de cerâmica. A época dos descobrimentos incrementou a actividade das olarias de Aveiro com a produção de grande quantidade de peças para exportação de onde se destaca a produção das formas de açúcar a partir do séc. XVI. Mas a importância destas argilas não se cinge a este factor produtivo. Elas contam uma história, uma outra história, agora não com centenas ou milhares de anos, mas sim com milhões. Contam uma história geológica, a história da sua origem e consequentemente a história do paleoambiente que existia na época da sua formação. Tudo se passa no final da Era dos Répteis, mais precisamente, no topo do Cretácico, aproximadamente entre os 65 a 70 milhões de anos. Nessa época existiria neste local uma área plana junto ao mar que recebia sedimentos fluviais que, em consequência da dinâmica calma do meio, se depositavam. São estes sedimentos finos que vão formar as argilas que hoje afloram um pouco por toda esta região. O estudo destas argilas tem mostrado serem ricas em fósseis de gasterópodes, bivalves, assim como escamas de peixes, restos de dinossauros, crocodilos e carapaças de tartarugas. Em relação à s carapaças de tartagura deve-se acrescentar para sua notabilidade, que foram colhidas três carapaças completas de tartaruga de um novo género, uma em Agras e as outras duas, juntamente com numerosos fragmentos, no barreiro da quinta do Vilar, a que foi atribuÃdo pela comunidade cientifica, o nome de Rosasia soutoi, em homenagem ao Dr. Alberto Souto pelos seus trabalhos e pela sua dedicação à Geologia. São todos estes fosseis e seu consequente estudo que permitem reconstituir o ambiente da época que teria condições climáticas semelhantes à s que encontramos hoje em clima tropical.
São estas argilas que constituem a formação do “Barreiro da fábrica Campos†e que durante décadas serviu como fonte da matéria prima para a fábrica. Foi-se a fábrica (ficou o edifÃcio), mudou-se a imagem da paisagem, mas o Barreiro teimosamente ainda lá está. Já em 1999 o Professor Galopim de Carvalho numa sessão de esclarecimento, denominada “Património Geológico de Aveiro – O barreiro da Fábrica Jerónimo Pereira Campos e a Extinção dos Dinossáuriosâ€, promovida pelo professor Britaldo Rodrigues, na altura, docente no Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro e deputado municipal, defendia o potencial pedagógico e patrimonial deste Barreiro. Foi abordado o grande significado como fonte de matéria prima assim como a riqueza do conteúdo paleontológico arquivado nas suas camadas e seu significado na reconstituição do ambiente que ali se viveu nesse longÃnquo passado.
Perante toda esta situação considera a ADERAV que deverá ser mantido, reconvertido e musealizado este Barreiro de modo a funcionar como elemento pedagógico no seio da actual malha urbana, fazendo a ligação perfeita entre parte da história geológica região com a história do Homem que escolheu desde tempos idos este local para habitar.
Deveria também ser promovida a sua classificação como Geomonumento, pois consideramos que constitui uma ocorrência geológica que, pela sua elevada importância e pelo facto de constituir um recurso valioso não renovável, deverá ser preservado e respeitado.